sábado, 26 de março de 2011

Sabe, de repente a gente percebe que o tempo realmente passa.
Não é por culpa das rugas que surgem no canto dos olhos.
Ou dos calendários que são trocados religiosamente.
São pensamentos que, misteriósamente, mudam drasticamente.
Vontades que se perdem, novos gostos adquiridos sem perceber...
Tudo culpa do modo automático, aquele o qual o tempo passa e a gente nem vê.

Pera aí. Contradição.

Sim, o tempo passou e a gente não viu.
Mas a gente conseguiu entender que na verdade nada daquilo que a gente imaginava existe mais... principalmente os sonhos e planos.
Falando em planos, eu sempre prometo a mim mesma não mais traçá-los, mas caio na armadilha de pegar o lápis, o papel e traçar um esboço da planta que eu queria pra mim.

Só arrancar as folhas do calendário pode sim dar um certo conforto, pelo menos nada de inesperado irá apagar o utópico.
Mas não saber onde é a chegada também enlouquece.
Você anda em círculos.
Ou procura atalhos.
Deita embaixo da sombra da árvore, descansa e se esquece que na verdade está em uma corrida.
O risco de ser atropelada ainda é bem grande.
E de se perder também.

A verdade é que eu me perdi.
E tento me achar.
Quando acho sinto o tal alívio imediato...
Instantâneo.

São Silvestre da vida real.
Notícia de jornal.
Já ia esquecendo do meu gardenal.

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