Fim da linha?

Sair da minha zona de conforto, da minha cama, meu quarto, meu lar, é algo necessário para encarar os desafios do dia a dia. Não nasci rica e por isso, assim como milhares de pessoas, levanto cedo todo dia, passo muitas horas no trabalho e sou recompensada no final do mês. Não estou aqui para reclamar, mesmo porque acredito que se eu não trabalhasse talvez a depressão teria feito maiores estragos na minha vida.


Hoje estava indo para Sampa, como é de costume. Na estação Tatuapé entrou uma mulher no meu vagão para pedir dinheiro. Disse que era viúva, tinha três filhos, sendo uma de dez meses, e que graças a um erro médico hoje em dia ela tem uma deficiência e não pode trabalhar. O velho discurso que não tinha comida em casa e usava panos como fralda para a filha. "Velho discurso" soa insensível... Já virou costume não se importar com os problemas dos outros, pois cada um tem o seu, não é mesmo? Nem sempre!



O que me chamou a atenção foi uma senhora que estava sentada na minha frente: muito humilde abriu a carteira e deu 5 reais para a pedinte... Sem parecer se  importar com aquele dinheiro que possivelmente lhe faria falta. A senhora, seguia a pedinte com os olhos e, revoltada, começou a falar para ninguém "ela deveria ter processado o médico... Onde já se viu?" Enquanto isso pegou alguns biscoitos recheados para ofertar a mulher, mas sem sucesso, pois devido ao problema de locomoção só passou por nós uma vez. Questionei a humilde senhora: será que adiantaria o processo? Será que ela iria conseguir alguma coisa neste país onde não existe justiça para os pobres?



"Acho que ela deveria ter escrito para o Gugu... Mesmo se ela não soubesse escrever... Deveria ter pedido pra alguém".



Foi ai que eu lembrei do poder da TV. Um poder que eu sempre soube e tive mais certeza na época da faculdade, em diversos estudos e aulas. Foi aí que eu lembrei da época que decidi abandonar por hora o audiovisual, pois eu achava que pedreiros construíam casas, médicos salvavam vidas e eu construía apenas mentiras... fantasias! Foi aí que eu percebi que meu trabalho e minha formação realmente fazem a diferença na vida de muitas pessoas... E por que não tanto na minha já que o faço tão bem? Hora de rever meus conceitos. O trem para, chego em meu destino, desço a escada rolante... viro a página.



Texto escrito dia 01/05/2013.

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