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On the road - Bolívia - Day 6: O primeiro perrengue

Pois é, pessoal! Ao desembarcar do meu tour no Salar fui direto na Trans Omar, empresa de ônibus onde eu tinha comprado meu bilhete de volta para La Paz e, guess what? O ônibus não ia mais para La Paz. Bati em todas as empresas que fazem o trajeto e nenhuma delas iria operar. O motivo? No dia seguinte, domingo, o país iria passar por um referendo, portanto os ônibus iriam parar de circular a partir da meia noite. Uma vez que era mais de 16h e a viagem para La Paz leva de 11 a 12 horas, seria impossível voltar para a capital.

Eu estava cansada, suja e entediada por estar numa cidade minúscula. Me bateu aquele famoso cinco minutos e decidi que não queria passar nem mais uma noite na cidade de Uyuni (mesmo porque seria a noite e o dia inteiro, pois os ônibus só saem para La Paz apenas as 19h00). Ouvi uma boliviana anunciando passagens para Oruro e foi para lá que eu fui. Péssima escolha!

Feliz Viaje - Foto by Évelin Karen

Comecei a viagem tendo que levar minha mala gigante para a parte de cima comigo, pois a mulher da empresa disse que não iriam abrir o bagageiro. Parte de mim ficou mais tranquila (pois os roubos de bagagem na Bolívia são comuns), mas subir com aquele trambolho sozinha foi no mínimo bem trabalhoso. Minutos depois chegou um grupo de mochileiros franceses e adivinhem quem pôde colocar as  mochilas no bagageiro? Pois é!

O ônibus era muito velho... sério, pensem num ônibus velho! Me senti num filme de 1960! A viagem que estava prevista para as 17h00 começou perto das 18h00. E lá fomos nós, turistas, locais que pareciam sair do trabalho no campo e pessoas aparentemente normais com um só sonho: chegar em Oruro! Mas é claro que a viagem precisava de emoção.

Cerca de uma hora depois que saímos, o ônibus fez uma pequena parada para que alguns passageiros desembarcassem. Uma das francesas aproveitou e fiz um pit stop básico no matinho (ou vocês acham que tem Graal naquelas estradas?). Foi quando o ônibus simplesmente... morreu! Sim, o ônibus apagou, o motorista tentava dar a partida e nada. É claro que meu coração começou a bater mais forte: "era só o que me faltava... passar a noite no meio do nada, num lugar onde mal passam carros porque o ônibus estragou".

Eis que o inacreditável acontece: o motorista convoca todos os homens do ônibus para descer e EMPURRAR! Sim, ali homem era homem, independente se era turista, idoso ou local. Todos foram dar uma mãozinha para que o ônibus ligasse e, graças a Deus, os esforços deram certo.

Só posso dizer que depois deste episódio todas as vezes em que o motorista trocava de marcha meu coração quase parava com medo que ele morresse no meio da noite. Digo isso porque a estrada nem parece estrada, já que, grande parte dela, são desvios que passam no meio do nada, aquele terrão cheio de buracos e pedras... Simplesmente assustador.

Pouco depois da meia noite cheguei em Oruro. Procurei um lugar para ficar e acabei me hospedando no Hotel Lucena. Fiz meu check in, tomei um bom banho e finalmente pude repousar numa cama digna.

No dia seguinte fui conhecer um pouco da cidade e achei horrorosa. As ruas fediam a esgoto, por isso não dava muita vontade de explorar o local. Quase tudo estava fechado, portanto foi um parto encontrar um lugar para tomar um café. Resultado: meu dejejum foi um pastel com um suco de garrafinha.

Deve ser esgoto - Foto by Évelin Karen

Aproveitei que era domingo e fui à missa na Iglesia San Martin. Era uma igrejinha pequena e tinha pouco mais de dez pessoas, mas foi uma celebração muito bonita. A equipe de liturgia deles ficava no andar de cima, bem nos fundos da igreja e era bem animada. Notei algumas diferenças na celebração, mas mesmo assim gostei bastante.

Meu almoço foi num fast food e o menu foi frango frito, batata frita, banana frita e coca cola. Rezei para que Deus tirasse todo o colesterol da minha refeição, pois era o que tinha em oferta.



Pouco depois fiz check out no hotel e check in numa hospedaria - Alojamiento Isidoros. O motivo: A hospedaria era menos da metade do preço e eu só queria um lugar para ficar, usar o wifii e o banheiro enquanto os ônibus não voltavam a circular. Sempre de olho no terminal vi quando a fila começou a aumentar e resolvi partir.

Chiquitita - Foto by Évelin Karen

Embarcar para La Paz também não foi tarefa fácil. Muita gente na fila e aquela incerteza se teriam ou não ônibus circulando naquele dia fizeram com que o desespero tomasse conta de todos. A simples tarefa de comprar uma passagem e subir no ônibus era quase impossível. Por sorte fiz amizade com uma boliviana que comprou o meu ticket. Finalmente embarquei, esperamos mais uns 40 minutos para sair e, horas depois, eu estava de volta ao meu primeiro hostel em La Paz, o Perla Negra.

No próximo post vou contar como foi a minha viagem para Copacabana onde fica o famoso lago Titicaca.

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